Filme não é ilusão?
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007 por Darwin

Copenhagen, capital da Dinamarca é conhecida por sediar a mais antiga monarquia do mundo, ser a terra dos vikings e de Hans Christian Andersen, que escreveu os contos “A pequena sereia” e “O patinho feio”. Mas na primavera de 1995 dois cineastas em um momento de tédio e iluminação (combinações essenciais para grandes acontecimentos) escreveram um manifesto contra a forma de fazer cinema daquela época. Lars Von Trier e Thomas Vinterberg lançaram o polêmico Dogma 95, que estabelecia o “Voto de Castidade” uma série de regras que impedia o uso de intervenções “milagrosas” para distanciar o cinema da realidade.
Manifesto do Dogma 95.
O Dogma 95 é um movimento de cineastas, fundado em Copenhagem na primavera de 1995. O Dogma 95 tem o compromisso formal de levantar-se contra uma "certa tendência" do cinema atual. O Dogma 95 é um ato de resgate! Em 1960, tivemos o bastante. O cinema estava morto e invocava a ressurreição. O objetivo era correto, mas não os meios. A Nouvelle Vague se revelava uma onda que, morrendo na margem, transformava-se
Hoje, uma tempestade tecnológica cria tumulto. O resultado será a democratização suprema do cinema. Pela primeira vez, qualquer um pode fazer filmes. Mas quanto mais os meios se tornam acessíveis, mais a vanguarda ganha importância. Não é o caso que o termo vanguarda assuma uma conotação militar. A resposta é a disciplina...devemos colocar os nossos filmes em uniformes, porque o cinema individualista será decadente por definição. Para erguer-se contra o cinema individualista, o Dogma 95 apresenta uma série de regras estatutárias intituladas "Voto de castidade". Em 1960, tivemos o bastante. O cinema havia sido "cosmetizado" à exaustão, dizia-se. Dali em diante, todavia, a utilização dos "cosméticos" aumentou de modo inaudito. O objetivo supremo dos cineastas decadentes é enganar o público. É disto que nos orgulhamos? É a este resultado que nos conduziram cem anos de cinema? Das ilusões para comunicar as emoções? Uma série de enganos escolhidos por cada cineasta individualmente?
A previsibilidade (a dramaturgia) tornou-se o bezerro de ouro em torno do qual dançamos. Usar a vida interior dos personagens para justificar a trama é muito complicado, não é a "verdadeira arte". Mais do que nunca, são os filmes superficiais de ação superficial que são levados às estrelas. O resultado é estéril. Uma ilusão de pathos, uma ilusão de amor.
Para o Dogma 95, o filme não é ilusão!
Hoje em dia, arma-se uma tempestade tecnológica. Elevam-se os "cosméticos" ao status de deuses. Utilizando a nova tecnologia, qualquer um pode - em qualquer momento - sufocar a última migalha de verdade no estreito canal das sensações. As ilusões são tudo aquilo atrás do qual pode esconder-se um filme. Dogma 95, para erguer-se contra o cinema de ilusões, apresenta uma série de regras estatutárias: o Voto de Castidade.
Voto de Castidade
1. As filmagens devem ser feitas em locais externos. Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).
2. O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá, portanto, ser utilizada, a menos que ressoe no local onde se filma a cena).
4. O filme deve ser
5. São proibidos os truques fotográficos e filtros.
6. O filme não deve conter nenhuma ação "superficial". (Em nenhum caso homicídios, uso de armas ou outros).
7. São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (Isto significa que o filme se desenvolve em tempo real).
8. São inaceitáveis os filmes de gênero.
9. O filme deve ser em
10. O nome do diretor não deve figurar nos créditos.
Copenhagem, 13 de março de 1995
Em nome do Dogma 95,
Lars von Trier
Uns dizem que essa é uma forma de elevar o cinema amador ao estado de arte, outros consideram uma maneira de democratizar o cinema, qualquer um pode fazer um filme, basta ter uma câmera. Os dois primeiros filmes do Dogma 95, Idiotern do Lars Von Trier e Festern do Thomas Vinterberg foram considerados os melhores de 1998. Esses filmes foram feitos em vídeo “e são, enquanto cinema, infinitamente superiores a qualquer centena de filmes cometidos anualmente
Extras:
Essa semana saiu uma matéria na Folha de São Paulo e no jornal O Povo falando que próximo ano deverão ser lançados quatro filmes brasileiros aos moldes do Dogma 95, produzidos pela Pax Filmes. Na verdade a Pax não segue os moldes do Dogma, embora seja influenciada pelos trabalhos dinamarqueses. Em seu blog, Paulo Pons (produtor, roteirista e diretor) deixa claro que a semelhança com o Dogma está em fazer filmes baratos sustentados em um roteiro inteligente, boas atuações e uma equipe engajada, Já é possível ver o making of de Vingança, o primeiro desses filmes, que deverá ser lançado até junho do próximo ano.
http://www.paxfilmes.tv/blog/?cat=3
- Existem 233 filmes nos moldes do Dogma 95, reconheidos pelo site do movimento, são filmes espanhóis, franceses, chilenos, argentinos, italianos, americanos...http://www.dogme95.dk/menu/menuset.htm
- O manifesto do Dogma 95 foi considerado por muitos críticos e cineastas uma estratégia barata de marketing
- Lars Von Trier só fez um filme nos moldes do Dogma
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sobre TV
sábado, 29 de setembro de 2007 por Darwin

revista Globosat, 08/10/93
1) Melhoria crescente de definição de som e imagem a custos cada vez mais baixos.
2) Programação ininterrupta durante a madrugada.
3) Maior, cada vez maior número de emissoras. Multiplicação de canais alternativos, independentes. Fim da necessidade de autorização estatal para transmissões. Pequenas estações com acesso à alta tecnologia.
4) Antenas que funcionem bem.'
5) Unificação dos formatos, bitolas e sistemas de codificação. Extinção das reservas de mercado. Um só sistema mundial de vídeo.
6) TVs de bolso.
7) TVs descartáveis.
8) Telas triangulares, circulares, em diversos formatos. Telas não planas, com relevos. TVs-esculturas, fabricadas em moldes encomendados especialmente pelo consumidor.
9) Acesso cada vez mais fácil e rápido às transmissões de estações de qualquer parte do mundo. Parabólicas menores e mais possantes. TV internacionalizada. Cada domicílio contendo sua pequena babel eletrônica, com dispositivo que acione tradução simultânea para várias línguas à escolha.
10) Outras possibilidades de alteração do som e da imagem. Além dos tradicionais comandos de sintonia, saturação, volume, contraste e brilho; inserção de comandos para interferência criativa sobre o material transmitido. Possibilidades de solarizar, negativar, inverter, multiplicar, distorcer, sobrepor as imagens e equalizar, remixar, fundir os sons. Tratamentos dados a som e imagem em computadores e ilhas de edição passariam a fazer parte do repertório comum de controles dos aparelhos de TV, para livre manipulação do espectador, agora mais ativo na relação com o meio.
11) Todos os canais simultaneamente na tela, por subdivisão e também por fusão das imagens e sons.
12) Possibilidade de inserção de imagens e sons outros que interfiram e se relacionem com o material transmitido.
13) Tecnologia digital de gravação, edição e reprodução ao alcance de qualquer consumidor. Vídeo câmeras caseiras com qualidade profissional. Acesso mais corrente aos meios de produção.
14) Projeções holográficas no espaço, fora dos limites da tela.
15) Serviço de acesso a transmissões já realizadas em todas as emissoras, que possa veicular programas já passados a pedido exclusivo de cada telespectador. Dessa forma, o usuário poderia confeccionar sua própria programação, nos horários que quisesse, podendo conjugar gravações de diferentes emissoras num único canal sintonizado, específico para a prestação desse serviço, com acesso a informações de qualquer época. TV como banco de dados para pesquisas, acionado pelo telespectador em seu domicílio. Acesso a catálogos com listagem de tudo que constar no arquivo de cada emissora, para consulta e uso do respectivo serviço.
16) Monitores contínuos de grande extensão (como biombos) para caminhantes.
17) Emissoras volantes, que possam funcionar durante curtos espaços de tempo em qualquer lugar do planeta onde se instalem.
18) Transmissões interplanetárias.
19) Atendimento adequado às diversas necessidades culturais, com variedade de usos da linguagem videográfica. Em decorrência da menor intervenção do Estado, perda do caráter unificador e impositor de padrões lingüísticos, estéticos, comportamentais aos povos.
20) Aparelhos inteiramente produzidos com material reciclado.
21) Transmissões telepáticas via satélite, sem necessidade de aparelho externo, que reproduzam não apenas som e imagem, mas experiências físicas completas, incluindo tato, olfato, paladar.
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Sobre audiovisual...
sexta-feira, 14 de setembro de 2007 por Darwin

O discurso da novidade vem acompanhando a produção audiovisual desde os seus primórdios. Sempre que surge uma inovação nesse meio ela é acompanhada por uma retórica que por um lado tem um caráter publicitário e por um caráter profético-revolucionário (nada será igual depois desta invenção). Bem, infelizmente, quase sempre, há uma distância entre a “propaganda” e a realidade.
Quando a fotografia surgiu no século XIX muito desse discurso foi empregado, para uns ela representava o fim da pintura, uma máquina entrava no processo de representação da imagem, e diferente das outras (câmera escura, por exemplo) conseguia desenhar essa imagem sobre um suporte. E então, apertar um botão é arte? Charles Baudelaire fez um discurso efusivo contra a fotografia em seu texto Salon de 1859 – “A poesia e o progresso são dois ambiciosos que se odeiam de um ódio instintivo, e quando se encontram no mesmo caminho é preciso que um dos dois sirva o outro”. – Será que existe mesmo uma distância entre a arte e a tecnologia?
O que dizer do cinema, uma máquina que não apenas cuida da representação como também do modo de olhar. O que você consegue ver sem a máquina cinematográfica? Por outro lado o cinema cria um ambiente para o filme que insere o espectador em outra realidade, todo o ritual que acompanha ver um filme no cinema contribui para isso, fazendo surgir assim um novo conceito de arte, se a fotografia “afasta” a reprodução imagética da arte o cinema traz de volta.
Mas então surge a TV. E agora? A tv seria a imagem real, a inovação da tv é a transmissão que pode ser vista em qualquer lugar por quem quiser ver. Mas a tv transforma o espectador em um mero alvo, um ponto na taxa de audiência. E depois da TV vem a imagem informática! Agora não existe representação. A imagem é criada por um programa de computador e não existe fora dele. Qual seria a representação “real” de uma infogravura? A corrente elétrica percorrendo os circuitos do computador? Agora existe uma outra realidade, a maquinização chega ao seu estágio supremo consumindo todo o processo de criação, representação e visualização.
Agora que o texto chega ao fim... O que era mesmo que eu queria dizer no começo? Não sei direito, mas a partir de agora questões sobre o audiovisual em si serão tratadas aqui, esse texto seria uma “introdução” a essas questões que precisam ser discutidas até seu esgotamento. E então o que vocês acham dessa evolução da máquina como forma de representar a imagem? O que virá depois do second life e essa “revolução” informática?
Leia mais em:
Vídeo Cinema Godard – Felipe Dubois
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Sábado a Noite
sábado, 1 de setembro de 2007 por Darwin

Tentativa de fazer um crítica de cinema sobre "Sábado a Noite" de Ivo Lopes de Araújo
“Um filme sobre fortaleza”, é o que está escrito no anúncio, com esse título alguns desavisados podem esperar um filme sobre as atrações turísticas de Fortaleza ou coisa assim... Eu esperava isso... A proposta do filme é mostrar um novo olhar sobre essa cidade feia e suja, a fotografia em preto e branco mostra esse lado esquizofrênico da cidade, onde o rústico e o moderno brigam por espaço a cada instante. Em alguns momentos o espectador tem a impressão de está assistindo uma performance em uma exposição de artes plásticas.
O roteiro é conduzido pelos habitantes, eles decidem se o filme entra em suas vidas, mas o personagem principal é a cidade. As pessoas são responsáveis pelo caráter emocional do filme, crianças brincando em uma rodoviária deserta, um casal de namorados, uma vendedora de revistas entediada...
O som é um dos elementos que se destacam, é um retrato sonoro da cidade, a quase total ausência de diálogos é angustiante, os ruídos têm uma musicalidade estranha, uma música que ouvimos todos os dias, mas preferimos deixar de lado.
O filme começa na BR e segue até a rodoviária, é ali que a história se desenrola e onde entram as pessoas que guiaram a câmera. Eu não sei como esse filme foi visto pelos que não conhecem Fortaleza, mas por não está acostumado com o cinema cearense é normal que as pessoas tentem descobrir onde fica cada local da filmagem.
“Sábado a Noite” causou grande polêmica não só por seu estilo inovador que desagradou a alguns, mas também pelo fato de ter ganhado o edital do programa DOC TV e recebido dinheiro público para fazer o filme, bem o problema é que a forma como todo esse dinheiro foi gasto não está muito clara no filme, que tem uma estrutura bem simples.
Pra quem não viu o filme e é aluno do Curso de Comunicação Social da UFC ele está disponível no DATA, pra quem não é aluno de lá... Procure um aluno e assista ao filme com ele!
Agradecimentos
A Domitila pela infra-estrutura e ao João Ernesto pelas discussões que levaram a esse texto.
Nota
O Cineclube precisa de ajuda para ser mantido! Quem estiver disposto a participar fique atento a comunidade http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=350651&tid=2544096495229162996&na=1&nst=1 ou apareça terça-feira 19h na Casa Amarela!
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Parafraseando Glauber Rocha
sexta-feira, 17 de agosto de 2007 por Darwin

A produção audiovisual aqui na província sempre foi muito limitada, mas algo novo está para acontecer. A possibilidade de um curso de graduação em “cinema” ou audiovisual( ou as duas coisas) promete mudar esse cenário patriarcal.
Nesse último dia 15 ocorreu o seminário que deveria esclarecer parte de nossas dúvidas, idealistas pela implantação do curso de cinema e audiovisual em Fortaleza. “Profissionais” e autoridades da área promoveram um debate insoso que só assustou os aspirantes a cineastas(entenda-se como cienasta pessoa que faz qualquer tipo de “cinema”) que ali perderam seus feriados. Como diria a nossa querida Regina Duarte, “ gente, eu estou com medo!” São muitas fôrmas e poucas formas criativas indo de encontro a interessantíssima palestra de Cinema Expandido do professor doutor André Parente. O auditório da reitoria, que por sinal já foi a residencia de uma nobre família portuguesa, foi palco da ratificação do patriarcalismo dos profissionais do glamouroso cinema.
O público preconceituoso e pedante não mediu esforços para alimentar seu ego em perguntas que mais pareciam discursos à Mussolini. O que acontece é que esses incríveis profissionais do audiovisual cearense temem a explosão de cineastas dessa cidade, e perderem o seu joguinho de cartas marcadas que garante o seu sustento no final do mês.
Os filmes são produzidos para um pequeno grupo que vai a festivais e considera a opinião de alguns críticos de cinema como absoluta. As outras artes não estão isentas desse tipo de patologia, qual seria o nome dela mesmo? Silismo? Bravocentrismo? Existem diversas variações para esse tema, mas o nome desse blog é Emformação não Investigação, e se fosse não seria de patologias artísticas(ou não).
O curso deverá ser implantado em 2009.1 e tomara Deus que fuja das fôrmas e preze pelas variadas formas. O problema da implantação não é o equipamento, os professores e nem mesmo o dinheiro. Falta consciência e preparo para os que dominam a sagrada arte do cinema aceitarem essa revolução eminente.
notas levemente descontextualizadas
-Hoje é a estréia do meu caro amigo João Ernesto no blog, e também é meu primeiro texto em dupla postado aqui!
- A mostra dos filmes de Bergman e Antonioni já começou e aqui está a programação
07/08 - A Hora do Lobo (Vargtimmen, 1968). D: Ingmar Bergman
14/08 - Para não falar de todas essas mulheres (For att inte tala om alla dessa kvinnor, 1964)
21/08 - Zabriskie Point (idem, 1970) D: Michelangelo Antonioni
28/08 - Depois daquele beijo (Blowup, 1966). D: Michelangelo Antonioni
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Luto!
sexta-feira, 3 de agosto de 2007 por Darwin

"O cinema não é um ofício. É uma arte. Cinema não é um trabalho de equipe. O diretor está só diante de uma página em branco. Para Bergman estar só é se fazer perguntas; filmar é encontrar as respostas. Nada poderia ser mais classicamente romântico (Jean-Luc Godard, “Bergmanorama”, Cahiers du cinéma, Julho – 1958)”.
Os filmes de Bergman lidavam com questões existenciais como a morte, a fé, a solidão. Tinham
uma forte carga telúrica, a Suécia era sempre representada nos seus filmes. Iniciou sua carreira no teatro, escrevendo o roteiro de “Morte de Kasper’. Em 1944 escreveu o roteiro para o filme “Hets” e fez seu primeiro filme “Kriss( Crise)” em 1945. Certa vez Woody Allen falou que Bergman era "provavelmente o maior artista cinematográfico, levando em conta o conjunto da obra, desde a invenção da câmera de cinema" .Bergman dirigiu mais de 50 filmes, fez programas para tv, peças de teatro e uma das cenas mais famosas de todo o cinema, onde um cavaleiro joga xadrez com a morte no filme “O sétimo selo”, que é uma alegoria dos anos da peste negra medieval. Ele recebeu três Oscars na categoria de melhor filme em língua estrangeira além de outras indicações a melhor diretor, melhor roteiro e melhor filme.
"Nos lugares vazios e silenciosos do mundo, ele encontrou metáforas para iluminar os lugares silenciosos de nossos corações, e encontrou neles, também, uma estranha e terrível beleza: austera, elegante, enigmática, assombrada", afirmou o ator Jack Nicholson, que protagonizou o filme Profissão: Repórter, ao entregar a Antonioni o Oscar pelo conjunto da obra em 1996 – que foi roubado da casa de sua casa meses depois.
Antonioni veio romper com o cinema neo-realista italiano que mostrava o drama da classe operária no período pós-guerra (veja o filme Ladrões de Bicicleta de Victorio de Sica). Seus filmes se concentravam nas experiências de uma burguesia alienada, tendo feito filmes patrocinados pelo partido fascista. Formado em economia ele passou a escrever para a revista fascista Cinema, dirigida pelo filho de Mussolini, depois passou a freqüentar a escola de cinema
Centro Esperimentale, onde fez vários documentários.Algumas pessoas consideravam seus filmes muito pretensiosos e intelectuais, seria um cult forçado, outros, como Martin Scorcese o descreve como “um poeta com uma câmera na mão”. Para muitos é considerado o cineasta da modernidade, por abordar temas como a falta de comunicação e a angústia. Assim como Bergman a solidão era um tema recorrente em seus filmes.
Destacou-se no cenário cinematográfico italiano ao fazer o filme “A Aventura”, Em 1966 fez Blow up – Depois daquele beijo que foi o seu primeiro filme em inglês, e recebeu indicação ao Oscar de melhor diretor. Em 1982 sofreu um derrame e teve a fala prejudicada, mesmo assim em 1995 dirigiu o filme Além das Nuvens junto com o alemão Win Wenders. No ano seguinte recebeu o Oscar pelo conjunto da obra.
p.s Existe uma probabilidade do Cine-clube da Casa Amarela passar uma mostra com os filmes de Bergman e Antonioni, caso seja confirmado eu avisarei aqui!
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"The sound of music": tentativa de contar a história da música no cinema!
sexta-feira, 20 de julho de 2007 por Darwin
http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?busca=john+williams¶m1=homebusca&check=artista#
É muito estranho ver imagens sem som, tanto que nem o cinema conseguiu ser totalmente mudo, não havia fala, mas o som estava lá. As exibições eram acompanhadas por um pianista que improvisava músicas a partir das imagens projetadas. Algumas salas mais sofisticadas usavam uma orquestra inteira, e poucos filmes usavam trilhas originais. Chaplin foi pioneiro ao escrever partituras que deveriam ser tocadas em cada cena de seus filmes, eram músicas simples que se adequavam ao seu estilo de filme.Não faz muito tempo que escrevi sobre a relação som/imagem aqui no blog, mas agora vou tentar fazer uma análise mais profunda. No século XIX a música instrumental era dividida em absoluta e programática. A absoluta não utilizava nenhuma outra forma de apreciação para ser construída, seria a música feita por ela mesma, um exemplo disso seria a música de Bach, além disso, era uma música mais tradicional. A música programática teria surgido com o Romantismo na metade do século XIX, seria a música inspirada em formas não-musicais, a arquitetura, a natureza, exemplos disso são As Quatro Estações de Vivaldi e a Sexta sinfonia, a Pastoral, do meu caro Ludwig Van. Nessas musicas ainda não havia a intenção de contar uma historia através de uma sinfonia, isso só foi apresentado pelo francês Hector Berlioz em sua Sinfonia Fantástica que contava partes diferentes da historia em cada movimento da música.
O estilo criado por Hector Berlioz inspirou o Poema sinfônico desenvolvido por Franz Liszt. As músicas nesse estilo eram totalmente guiadas pela narrativa. Tchaikovsky e Richard Strauss tambés se aventuraram nesse estilo e compuseram músicas inspiradas em obras de Shakespeare e Cervantes. Essa união de música e literatura fascinou jovens artistas do séc. XIX criando uma escola desse estilo. Richard Strauss era considerado por Debussy “um compositor cinematográfico, por ser sua obra uma infinita fonte de imaginação cinemática, gerando uma cadeia de imagens estimuladas pelo som da grande orquestra”. E não posso deixar de citar Richard Wagner que criou dramas musicais (Tristão e Isolda, O Navio Fantasma) onde cada tema musical caracterizava uma ação do personagem.
No início século XX o mercado fonográfico passou por muitas mudanças e a música sinfônica tradicional perdeu muito de seu prestígio. Os compositores que não se adequaram às mudanças dos novos tempos foram para o cinema. Toda aquela história de música programática resultou nas trilhas cinematográficas.

Em 1926 surgiu o Vitaphone,tecnologia patrocinada pelos irmãos Warner, Era um aparelho que incluía um projetor e um toca-disco que sincronizava o som e a imagem, o primeiro filme sonoro a ser exibido foi The Jazz Singer(1927) com Al Johnson, o primeiro onde era possível ver alguém falar e cantar. Tinha muitos problemas, o chiado, por exemplo, e caso o disco arranhasse? A sincronia era perdida e o filme ficava insuportável. Depois surgiu o Movietone, da Fox, que imprimia o som na película e acabou com esses problemas de chiado e sincronia.
A utilização do som no cinema levou a uma série de discussões, afinal como o som deveria ser usado?No princípio usavam as músicas para encobrir o silêncio das cenas em que não havia diálogos, as músicas tinham um caráter ilustrativo, principalmente no cinema americano. Já que o Europeu contou com Sergei Eisenstein que desenvolveu teorias de utilização do som para a criação do ambiente. As teorias de Eisenstein só chegaram ao cinema americano em 1939 com o filme Fantasia de Walt Disney. Nesse filme a narrativa e os personagens estão totalmente submetidos à música. O filme não foi um sucesso de público, mas causou grande impacto no meio cinematográfico, pela primeira vez na história do cinema o roteiro do filme passa a ser a música.Nessa época as trilhas eram quase que totalmente compostas por músicos europeus de grande tradição na música sinfônica, esse tipo de música se adequava perfeitamente a filmes épicos ou românticos, com King-Kong, E o vento Levou, Casablanca... Mas e quanto a comédias, westerns e filmes policiais? No final dos anos 40 surge uma nova geração de músicos para suprir esse tipo de necessidade. As músicas passam a ser mais específicas, e alguns diretores começam a adotar compositores para seus filmes, isso aconteceu com Hitchcock e Bernard Herman (que fez trilhas para Psicose e Um corpo que cai),
Spielberg e John Williams (ele fez a trilha e quase todos os filmes do Spielberg, de Tubarão a Inteligência Artificial ), isso cria um clima incrível já que o diretor sabe como o compositor trabalha e vice-versa.É nos anos 60 que a música pop entra no cinema, a atuação da musica sinfônica se torna mais pontual, surgem os grandes compositores populares e agora as pessoas saiam do cinema cantarolando, Singing in the rain, just singing in the rain, what glorious feeling I’m happy again... ou The hills are alive with the sound of music!
Nos anos 70 e 80 a música pop continuou sendo explorada em detrimento da música sinfônica, hoje as duas andam juntas, geralmente um filme tem uma partitura orquestral fazendo a trilha e a música pop presente na canção-tema. Eu adoraria falar mais sobre a música contemporânea no cinema, mas basta ver os filmes atuais para ver como isso funciona.
Segue aí um top 10 das minhas trilhas favoritas.
2 – Cinema Paradiso e Malena – As duas trilhas do Ennio Morricone, Cinema Paradiso perderia 80% de sua magia sem a música e o filme Malena não é grnade coisa, mas a trilha é incrível.
3 – aqui houve um empate entre duas trilhas do John Williams
Star Wars – eu particularmente prefiro a do Retorno de Jedi mas todas seguem a mesma tendência e são inesquecíveis.
Tubarão – essa trilha é do John Williams e nem precisa de muitos comentários, foi muito bem usada pelo Spielberg, o tubarão nem precisava aparecer, era só ouvir a música que já sabíamos que ia ter sangue.
4 – O Fabuloso destino de Amelie Poulain – a trilha é do multi-instrumentista Yan Tiersen, mistura música folclórica, pop e erudita, o resultado é uma trilha tão marcante quanto o filme.
5 – Um corpo que cai – trilha do Bernard Herman para um dos melhores filmes do Hitchcock, o aspecto sombrio das músicas combina muito bem com a atmosfera criada pelo Alfred.
6 – Os fantasmas se divertem – a trilha é de Danny Elfman, a sintonia entre ele e o Tim Burton é incrível
7- Pulp Fiction – Quentin Tarantino sempre usa suas canções favoritas em seus filmes, o filme não tem uma música original, mas mistura rock instrumental, jazz, surf music, soul e outras coisas viciantes
8 – Amadeus – Johns Strauss cuidou dessa trilha de forma magistral, e o Millos Forman dirigiu o filme como se a música fosse um personagem, genial!
9 –- E.T – também do John Williams, não dá pra esquecer a cena do E.T voltando pra casa, a do vôo na bicicleta... Músicas incríveis com o doce sabor da infância (clichês bombando)
10 – Quase Famosos ( as canções escolhidas pela Nancy Wilson são incríveis, dá vontade de viajar com uma banda em um ônibus velho)
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Diário do Cinéfilo
sexta-feira, 6 de julho de 2007 por Darwin
Recentemente me aventurei a ver um desses filmes que não acrescentam nada a quem está assistindo, tanto que estou fazendo um esforço enorme para lembrar do filme que vi “O quarteto fantástico e o Surfista Prateado”. Mas primeiro vamos falar sobre o que me levou a ver esse filme. Tem dias que não dá para assistir filmes complicados como o 13 homens e um novo segredo (não que seja um filme inteligente o roteiro é cheio de brechas e termos complicados pra dar a sensação de ser um filme inteligente, mas só consegue ser um filme confuso), por sinal nem vi o filme e me contaram qual é o maldito segredo... Mas tudo bem, vivendo e aprendendo a conviver com esse tipo de chato... Retomando o assunto, nesse dia estavam em cartaz no Iguatemi seis filmes ocupando as 12 salas, nenhum deles era brasileiro. Depois de vários sorteios e longas discussões o filme escolhido foi “13 Homens e um novo segredo”. Em menos de 10 minutos de filme resolvi mudar de sala, por conveniência e falta de uma opção decente entrei na que estava passando O quarteto fantástico. Aparentemente as pessoas estavam interessadas em ver o filme, o que já é espantoso... Para justificar ausência de um roteiro interessante o filme é cheio de efeitos especiais e isso vende muito. Conseguiram a proeza fascinante usar todos os clichês das histórias em quadrinhos e do cinema em um único filme... O filme arrecadou US$ 330 milhões no mundo todo, o que é compreensível já que a maioria da população prefere ir ao cinema e ver um filme totalmente alheio a sua realidade, do que ver alguma coisa que a faça pensar e que gere um certo incômodo, a partir desse desconforto vem a discussão e a conscientização. Mas de vez em quando é bom ver um desses filmes inúteis, pra dar umas risadas, falar mal dos produtores e escrever um texto leve e sem compromisso para um blog.Marcadores: cinema, Darwin Marinho
Oscar. Como tudo começou...
quinta-feira, 28 de junho de 2007 por Herbênya Alves

Todos os anos, as emissoras de televisão transmitem a entrega do que é considerado o mais importante prêmio cinematográfico: o Oscar. Mas, você já parou para pensar como surgiu o Oscar?
A idéia surgiu após a criação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que era formada por pessoas que faziam parte da indústria do cinema. Tais pessoas começaram a especular uma premiação que incentivasse uma melhoria da qualidade das produções. A premiação seria validada com a entrega de uma estatueta de um homem corpulento parado sobre um rolo de filmagem, de braços cruzados e, entre eles, uma espada. Primeiramente, o Oscar era feito de bronze, hoje em dia, no entanto, a estatueta é esculpida em estanho e banhada a ouro e platina.
Oscar é uma espécie de apelido para o Prêmio da Academia ao Mérito. Existem muitas histórias sobre como surgiu o apelido, mas não se sabe ao certo o porquê. Uma das mais difundidas é a de que uma senhora, membro da academia, dizia que a estatueta lembrava seu tio Oscar e, a partir de então, as pessoas passaram a se referir ao prêmio por este nome, usado oficialmente durante a sexta cerimônia de premiação.
A primeira vez que o prêmio foi entregue foi no ano de 1929 no Hotel Rossevelt,
Vinte e quatro anos após a primeira festa de entrega do Oscar, é que tal comemoração foi transmitida pela televisão (ainda em preto e branco). Treze anos mais tarde ocorreu a primeira exibição em cores.
Com a modernização dos meios de comunicação e a crescente importância que foi dada ao prêmio, as festas para a divulgação dos “melhores do cinema” foram-se tornando cada vez mais glamourosas. Passaram de simples festas em hotéis para apresentações extremamente requisitadas pela sociedade cinematográfica americana e por todos aqueles que estão envolvidos no mundo cinematográfico. Atualmente, receber um Oscar é sinônimo de prestígio e qualidade(?).
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Puttin' on the Ritz – um pouco de cinema, moda e Hollywood!
sexta-feira, 22 de junho de 2007 por Darwin
Cinema e moda estão intimamente ligados. Até o século XV as roupas não se diferenciavam muito nas cores e estilo, a moda como conhecemos surgiu em meio ao renascimento cultural, os plebeus queriam se aproximar da nobreza e imitavam as suas roupas, os nobres mudavam o estilo das roupas constantemente para ficarem diferentes dos plebeus. O cinema surgiu no final do século XIX e com a sua evolução houve uma preocupação maior com o figurino, a partir desse momento cinema e moda passam a andar lado a lado.As grifes viram a oportunidade de lucrar muito com a indústria cinematográfica. As pessoas assistem aos filmes e querem ser como seus heróis. Por exemplo, ao compra um terno Armani e dar um passeio pela cidade você não é apenas mais um vestido em um terno do rei de Milão, é o próprio Richard Gere em Bervely Hills no filme Gigolô Americano. Uma garota usando botas chanel pretas de cano alto e saias Kavin Klein se sente a Anne Hathaway em “O Diabo Veste Prada”. Esse é o objetivo do cinema e da moda, vender sonhos.
Até a década de 40 as produções eram muito exageradas, tudo era maior e mais caro que o normal, as pessoas iam ao cinema e se sentiam partes daquela realidade alternativa que se opunha ao que viviam. Nessa época o mundo todo estava em crise (grande depressão, 2 guerra...) . Na década de 50 usar jeans e camiseta virou sinônimo de rebeldia depois das aparições de James Dean em juventude transviada e Marlon Brandon em “Um bonde chamado desejo”. Em 1956 Brigitte Bardot apareceu usando um biquíni no filme “E Deus criou a mulher” , isso revolucionou a moda praia. E não podemos esquecer Marilin Monroe que foi a única atriz a se sustentar inteiramente na sensualidade, Grace Kelly que virou a personificação da elegância, claro que as roupas claras e a luz direta ajudaram a dar um ar mítico a suas personagens.Na década de 60 Audrey Hepburn virou o ícone máximo que liga cinema e moda ao interpretar uma garota de programa em “Bonequinha de Luxo”, até hoje existem coleções inspiradas em seu personagem nesse filme. Com a corrida espacial, e a possibilidade de um futuro no espaço a moda refletiu a necessidade de estar preparado para esse futuro, no cinema isso pode ser visto em “Laranja Mecânica (mais uma vez citando esse filme)”.
Na década de 70 o filme estrelado por John Travolta, “Os Embalos de Sábado à noite” inaugurou a era disco, calcas bocas de sino, cintura alta, saltos plataforma (para homens e mulheres) se tornou peças obrigatórias para os que queriam estar na moda. Dois filmes nos anos 80 fizeram o mundo se render aos talentos de Girogio Armani, “Gigolô Americano” e “Os Intocáveis”, uma propaganda baseada nesse segundo filme foi premiada no festival de Cannes em 1992. Veja no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=jiG5CxoM180&eurl=http%3A%2F%2Foglobo%2Eglobo%2Ecom%2Fblogs%2Flula%2Fpost%2Easp%3Fcod%5FPost%3D13690
Ainda nessa década no filme Annie Hall de Woody Allen, a personagem de Diane Keaton usava roupas largas e masculinas, esse estilo ficou namoda até meados dos anos 90, esse estilo de roupa se popularizou em uma época em que as mulheres começavam a ocupar cargos mais altos no mercado de trabalho.

Nos anos 90 dois filmes merecem destaque. Pulp Ficition de Quentin Tatantino e Prêt-à-Porter de Robert Altman. O primeiro por falar de cultura pop, e por ter lançado moda. O cabelo e as roupas de Mia Wallace viraram moda na época, basta dar uma olhada naquele álbum de família, ou nos vídeos de casamento... O segundo filme é um dos melhores relatos sobre os bastidores do mundo da moda, o filme mostra o lado negro dessa indústria, o filme se passa durante a Semana de moda de Paris e tem no elenco Marcello Mastroianni , Sophia Loren, Julia Roberts, Kim Bassinger e Tim Robbins.
Dois filmes recentes tratam desse assunto: O Diabo Veste Prada e Maria Antonieta. O primeiro mostra as sutilezas da indústria da moda, focando na paranóia das pessoas que trabalham com isso, mas a história interessante, a excelente atuação da Meryl Streep e ser baseado em fatos reais não correspondem a 30% das razoes do sucesso do filme, o principal motivo que levou milhões de pessoas ao cinema para verem esse filme foi o figurino escolhido por Patrícia Field!Dolce & Gabanna, Valentino, Kalvin Klein, Donna Karan e Chanel são os protagonistas do filme. O filme faz uma crítica ao mundo da moda, mas é ofuscada pela sensação de consumismo que as pessoas sentem ao sair da sala (o que é perfeitamente compreensível). Maria Antonieta mostra a história de uma das figuras mais fúteis da história, ela gastava fortunas em roupas,sapatos, festas, doces... Acredito que tenha sido a primeira vítima fatal da moda. Esse filme mostra a bem a questão do consumismo, em uma cena a diretora e ex-estilista Sofia Copolla mostra o momento das compras da rainha, alternando imagens de doces e roupas ao som de “I want Candy” do Bow wow wow., essa cena ilustra o prazer diante da compra, tudo nela parece comestível. Sofia Copolla disse que queria deixar tudo “doce para os olhos”. Estilistas de peso assinaram o figurino do filme, Karl Lagerfield, Christian Dior e John Galiano dirigidos por Milena Canonero, o filme ganhou o Oscar de melhor figurino. 
Para terminar, na última edição de inverno do SP Fashion Week 16 desfiles tiveram suas temática inspiradas no cinema, filmes como Mad Max, Laranja Mecânica e Maria Antonieta inspiraram as coleções de inverno em 2007. E depois de ler tudo isso vem àquela dúvida, a arte imita mesmo a vida? Acho que quando as coisas envolvem moda e cinema a vida pode muito bem imitar a arte.
Curiosidades:
- Puttin' on the ritz é uma música de Fred Astaire que fala sobre cultura pop, e a expressão tem o mesmo sentido de " ponha isto na moda".
- O figurino usado por Meryl Streep em "O diabo veste prada" foi baseado na usado por Audery Hepburn em "Bonequinha de Luxo"
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Chanchadas
sexta-feira, 15 de junho de 2007 por Darwin
De todos os gêneros cinematográficos brasileiros, o que mais se destacou foi a Chanchada. Na época, as chanchadas foram bastante criticadas pela mídia e por intelectuais, pois eram tidas como superficiais e alienadas. Realmente, muitas vezes, o roteiro era um tanto pobre e ingênuo, mas suas tramas eram bem divertidas. O cinema americano era constantemente parodiado e tais paródias lançaram artistas inesquecíveis como: Oscarito, Grande Otelo, Eliana. Ankito. Dercy Gonçalves. Zé Trindade. Zeze Macedo, José Lewgoy, Violeta Ferraz, Cyl Farney, Fada Santoro, e o inesgotável Wilson Grey. entre tantos outros.
As chanchadas possuíam um apelo popular bem característico e o que, inicialmente, centrava-se no Rio de Janeiro, logo fez surgir um novo pólo em São Paulo. É importante lembrar que o sucesso desse gênero deveu-se também graças ao rádio que, nesse momento, substituía a televisão. Ele acabava sendo um dos únicos meios de comunicação capazes de trazer entretenimento ao público que não tinha acesso aos cassinos. Assim, filmes quem apresentassem os cantores iriam atrair todas as atenções em todo o país, já que finalmente o público poderia conhecer a fisionomia de seus ídolos.
Apesar das produções serem feitas a partir da caricatura e trejeitos norte-americanos, eram adicionados temas do cotidiano nacional, como as anedotas tipicamente cariocas e o jeito malandro de falar e se comportar do brasileiro. O resultado obtido eram produções genuinamente brasileiras, que foram capazes de lotar as salas de cinema por um longo período.
Inúmeros fatores, entre eles: o Cinema Novo, acabaram levando ao esgotamento das chanchadas. Estas, apesar de todas as críticas, levou à auto sustentação cinematográfica brasileira por quase dez anos.
Cinema, economia, sociedade e outras coisas...
sexta-feira, 8 de junho de 2007 por Darwin

Aproveitando o Cine Ceará hoje vamos falar de festivais!
Segundo o Guia Brasileiro de Festivais de 111 festivais serão realizados em 2007, em 2006 esse número era 72. Estima-se que esse mercado movimenta cerca de 20 milhões, vindos principalmente de patrocínios federais, e gera mais de 10 mil empregos. Também existem mais 100 festivais internacionais que recebem filmes brasileiros em mostras competitivas e informativas, a Ancine (Agência Nacional de Cinema) seleciona o filme e financia o envio e as passagens para os locais onde ocorrem os festivais. Mas qual a razão desses números? O único motivo para eles estarem aqui é impressionar, números sempre passam confiança, e nesse caso mostra um lado mais economista dessa "indústria do entretenimento". Além do Cine Ceará outros dois festivais serão realizados aqui na Terra da luz, o Curta-Canoa em setembro e o Nóia - Festival Brasileiro de Cinema e Vídeo Universitário em novembro. No nordeste esse ano serão 16, sendo quatro em Pernambuco, o estado dessa região com maior número de festivais.
Os festivais desempenham um papel essencial na divulgação da produção nacional, além de serem bastante democráticos quase sempre são gratuitos ou a preços populares, o que é muito importante visto os preços dos cinemas atualmente, mas o problema é fazer as pessoas que lotam os cinemas para ver Homem Aranha, Piratas do Caribe, Harry Potter, Shrek e companhia se interessarem em ver um filme de baixo orçamento que discute política, religião, arte, educação... Infelizmente a cultura de massa está bem distante do que é considerado "alta cultura”. Não que a maioria da população prefira coisas que não trarão nenhum acréscimo para sua consciência político-cultural, mas resolveram fazer a escolha mas simples. É mais fácil ir ao cinema e assistir um blockbuster que teve uma matéria em todos os jornais do que assistir aquele filme braseiro que teve uma nota inexpressiva perdida no meio do anúncio daquele blockbuster, mas essa já é outra discussão...
Infelizmente a semana em que os olhares da indústria cinematográfica brasileira estiveram sobre nossa cidade está acabando, e já encerraram as mostras abertas ao grande público. Quem não foi perdeu a oportunidade de ver bons filmes que não entrarão no circuito comercial e que dificilmente conseguirá ver de outro modo, além de ter diretores, produtores e atores bem acessíveis, o que é ótimo pra fazer contatos caso você queira trabalhar no meio. Não se desespere se você perdeu, ainda vamos ter outros festivais por aqui esse ano e dessa vez não troque a tela de cinema pela tela de TV ou computador...
Calendário dos Festivais Nacionais e outras coisas...
http://www.kinoforum.org.br/guia/2007/index.php
Agência Nacional do Cinema
http://www.ancine.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home
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Cinema:a sétima Arte
sexta-feira, 1 de junho de 2007 por Darwin
*Texto de Herbenya AlvesAqui, no Brasil, a primeira sessão cinematográfica foi realizada em 1896, na Rua do Ouvidor, Rio de Janeiro. Devido à escassez de energia elétrica, as exibições eram bem limitadas. A partir da década de 50, uma nova estética nacional começou a surgir. Nesse mesmo momento, a televisão passou a fazer parte da vida de muitas pessoas e, por algum tempo, acreditou-se que isso seria causa da decadência desse espetáculo, pois ela transmitia uma visão mais voltada para a realidade. Grande engano! O cinema sobreviveu à televisão, assim como a fotografia sobreviveu a ele.
O cinema brasileiro passou por três fases que foram sofrendo mudanças de acordo com o cenário sócio, político e econômico do País. Na primeira fase, os filmes tinham suas temáticas voltadas ao cotidiano e à mitologia do nordeste brasileiro, com os trabalhadores rurais e as misérias da região. A marginalização econômica, a fome, a violência, a opressão e a alienação religiosa também foram temas abordados. A segunda fase tinha um novo propósito. Dessa vez, os cientistas analisavam os equívocos da política desenvolvimentista e principalmente da ditadura militar. O Cinema Novo evoluiu para formas alegóricas como uma saída para contornar a censura do Regime Militar. Os filmes também faziam uma reflexão sobre os novos rumos da história nacional. A terceira e última fase foi influenciada pelo Tropicalismo que levava suas atitudes às últimas conseqüências e extravasou por meio do cenário exótico brasileiro. A repressão política foi responsável pelo fim do movimento. Alguns de seus cineastas tiveram de se exilar e grande parte das produções foram fracassos comerciais. Com início de uma abertura política, anos 80, percebe-se um favorecimento para a discussão de temas proibidos anteriormente. A retração do público interno e a atribuição de prêmios estrangeiros fizeram surgir uma produção através de um programa de incentivo à indústria Cinematográfica instituído pelo Ministério da Cultura. Aos poucos, reapareceram novas produções.
Muito de nossa história cinematográfica se perdeu, pois alguns filmes não existem mais. Estes podem apenas serem comentados. Durante o evoluir, nossos filmes foram fundindo estilos bem diversificados e nossos produtores foram bastante influenciados por seus mestres. Atualmente, possuímos grandes produções. Entre polêmicas e temas ousados, o cinema brasileiro apresenta boas produções contemporâneas. Isso mostra que a classe cinematográfica abriu espaço para que as pessoas possam refletir um pouco sobre a realidade.
Em relação à nossa produção local, há poucos registros sobre quem ousou realizar os primeiros filmes, já que muitas das fontes primárias se perderam no incêndio da Biblioteca Pública do Estado do Ceará. Sabe-se, no entanto, que o pioneiro no ramo da produção documental foi Adhemar Bezerra de Albuquerque, futuro criador da Aba Film. Ele cobriu documentários sobre Fortaleza e também levantou temas sobre o interior do Estado, filmando eventos no campo político, econômico, social e até religioso. Hoje, percebemos o crescimento do cinema cearense que vem ganhando espaço no Brasil e é reconhecido também no exterior.
Para quem gosta de cinema, começa hoje o 17ºCine Ceará. Este é considerado o terceiro maior festival de cinema do Brasil. O festival apresenta documentários e curtas-metragens nacionais e internacionais. Maiores informações no site: http://www.cineceara.com.br/home.html
Cinema, comunicção e um pouco dessa história de contemporaneidade
sexta-feira, 25 de maio de 2007 por Darwin

Stanley Kubrick: http://pt.wikipedia.org/wiki/Stanley_Kubrick
Apocalipse Now EUA -1979. Direção: Francis Ford Copola.
Laranja Mecânica: Livro de Anthony Burgess que recebeu adaptação para o cinema em 1971, foi relançado em 2004 pela editora Aleph, o preço médio é R$36,00
Ás Segundas-Feiras, 19h na casa Amarela da UFC, acontece o Cineclube, de graça, o tema desse mês é Obsessão Amorosa, não percam!
Quer saber sobre cinema neo-realista italiano? Ás quartas-feiras na Casa Amarela da UFC ás 18h30min, depois do filme sempre rola uma palestra com um especialista no assunto.
E bem-vindos ao Cinema Emformação!
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