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Quadrinho não é literatura

domingo, 16 de setembro de 2007 por Beatriz Jucá

 

Essa foi a conclusão a qual eu cheguei, no final das contas. Quer dizer, inicialmente a minha idéia era meio que deixar a dúvida no ar, se quadrinho é literatura ou não, pra gerar discussão, sabe?! Ia ser legal, e tudo, mas quando eu fui pesquisar... Tipo, não tem como defender que quadrinho é literatura!

Antes que joguem pedras em mim, deixa eu explicar. Olha só o que o Aurélio diz sobre Literatura: "Arte de compôr trabalhos artísticos ( essa redundância tosquíssima é coisa do aurélio, viu?!) em prosa e verso." Já sobre quadrinhos ele fala: " Sequência dinâmica de desenhos (quadrinhos), em geral com legendas, que contam uma história." eu também dei uma fuçada na wikipédia, e lá também não tinha nada que desse a entender essa ligação entre a banda seqüencial (um nome bem chique pra "quadrinhos") e a literatura.

O que ocorre é que nós (pelo menos eu) ainda temos uma mentalidade meio matuta com relação à literatura. Essa palavra nos traz á mente a idéia de algo culto, intelignete e edificante. nesse contexto, defender que quadrinho é literatura é dizer que ler gibi também deixa mais inteligente, e eu concordo plenamente com isso, mas não precisa ser literatura pra ser edificante não. Olha, esse pensamento generalizador é mais comum do que se imagina, viu?! Me contaram uma vez de uma coisa que aconteceu com o Neil Gaiman ( o cara do Sandman). Conta-se que certo trabalho dele ganhou um prémio, daí os críticos disseram: "É tão bom que é quase literatura." Putz! è muita pretensão dos literários! quase literatura... ou é literatura ou não é!

Outra, o quadrinho já é reconhecido como a nona arte, enquanto a literatura é uma das primeiras (eu não sei qual é porque todo mundo só fala na sétima arte, que é o cinema). Ou seja, as duas coisas são artes diferentes, que seguem raciocínios diferentes, e que são confundidas por serem ambas impressas em papéis, por assim dizer.

Enfim, não há motivos pra ficar quebrando a cabeça com isso. HQ não é uma das modalidades da literatura. Ao invés disso, é uma modalidade de arte diferente, que segue suas próprias regras, e que ainda sofre um certo preconceito, ainda é tachada de "coisa pra criança" ou "coisa pra nerd". E uma pena. Quem deixa de ler quadrinhos não sabe o que está perdendo.
Texto: Talles Silva

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Literatura Infantil

domingo, 9 de setembro de 2007 por Beatriz Jucá

 

Por Sarah Coelho
“O contato com textos recheados de encantamento faz-nos perceber quão importante e cheia de responsabilidade é toda forma de literatura. A palavra literatura é intransitiva e, independente do adjetivo que receba, é arte e deleite.”

A lembrança da primeira vez em que tentei descrever a poesia que o hábito da leitura trazia à minha vida vem carregada de um tanto de frustração. Eu vivia os meus 10 anos e participava de uma promoção chamada “Ler é um grande barato, por quê?”. Boa pergunta. Como alguém que só tinha lido livros para crianças poderia responder a esse questionamento?

O fato é que a procura por esta resposta rendeu-me tardes inteiras de raiva do Lobato e seu faz-de-conta. Mas em uma dessas, é que percebi que era exatamente a possibilidade de sentir aquela raiva que tornava a minha leitura prazerosa. As minhas vivências no “sítio do pica-pau amarelo” e o relacionamento estabelecido por mim com seus personagens eram reais, palpáveis e distintas da das crianças que outrora possam ter lido aquelas mesmas linhas. Eram minhas. E eu tinha algo a dizer sobre elas.

Fiz o texto e estava confiante, mas papai esqueceu-se de colocá-lo no correio e por isso não ganhei a promoção.

Hoje, anos depois, venho falar a vocês não da impossibilidade de ter concorrido aquele prêmio, mas do instrumento que naquele instante tornou-me capaz de descobrir a validade de mergulhar nas histórias e ensinamentos trazidos pela leitura: A literatura infantil.

A designação infantil faz com que esta modalidade da literatura seja considerada ‘menor’ por alguns, infelizmente. Mas para quem estuda o desenvolvimento da criança é clara a função pedagógica e didática que, exatamente por reconhecer a criança como um ser diferente do adulto, com necessidades próprias, a Literatura Infantil tem.

“Nos contos de fadas, por exemplo, o maniqueísmo que divide as personagens em boas ou más, belas ou feias, poderosas ou fracas, etc. facilita à criança a compreensão de certos valores básicos da conduta humana ou convívio social”.

Esse caráter de ensino também é encontrado nas fábulas, que têm por objetivo transmitir moralidade, onde o ‘certo’ deve ser copiado e o ‘errado’ evitado.

Os livros infantis também estimulam a criatividade, tão bem representada pelo fantástico. Oferecer às crianças a possibilidade de “imaginar” coisas diferentes das que lhe são impostas é algo importantíssimo! A coleção de contos árabes “As Mil e Uma Noites” ilustra tudo isso.

“A história conta que, durante três anos, moças eram sacrificadas pelo rei, até que já não havia mais virgens no reino, e o vizir não sabia mais o que fazer para atender o desejo do rei. Foi quando uma de suas filhas, Sherazade, pediu-lhe que a levasse como noiva do rei, pois sabia um estratagema para escapar ao triste fim que a esperava. A princesa, após ser possuída pelo rei, começa a contar a extraordinária ‘História do Mercador e do Efrit’, mas, antes que a manhã rompesse, ela parava seu relato, deixando um clima de suspense, só dando continuidade à narrativa na manhã seguinte. Assim, Sherazade conseguiu sobreviver, graças à sua palavra sábia e à curiosidade do rei. Ao fim desse tempo, ela já havia tido três filhos e, na milésima primeira noite, pede ao rei que a poupe, por amor às crianças. O rei finalmente responde que lhe perdoaria, sobretudo pela dignidade de Sherazade. Fica então a metáfora traduzida por Sherazade: a liberdade se conquista com o exercício da criatividade.”

E, por fim, devemos ressaltar que a Literatura Infantil inicia o homem no mundo literário, sendo utilizada como instrumento para a sensibilização da consciência, para a expansão da capacidade e interesse de analisar o mundo.

É isso. Espero que de agora em diante novos olhares possam ser lançados a Monteiro Lobato e seu sítio; Irmãos Grimm e sua chapezinho; Enid Blyton e seus pequenos detetives; Hans Christian Andersen e seu patinho; ou Ziraldo e seu menino maluco.

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Sobre os preços dos livros no Brasil

domingo, 26 de agosto de 2007 por Beatriz Jucá

 


Por Talles Silva


Os brasileiros, em geral, não lêem muito. O interesse pela leitura é meio que prejudicado por várias razões: a ainda grande taxa de analfabetismo, a falta de incentivo à leitura durante a infância, o grande apelo de outras formas de mídia e por aí vai. Qual seria então uma boa maneira para atrair leitores? Uma boa pedida seria baratear os livros.

É sério, porque eles são tão caros? Quer dizer, publicar um livro com uma capa legal, um papel de alta qualidade e com um projeto gráfico bacana não deve sair muito barato ( ainda mais levando em conta que as vendas não serão lá isso tudo, já que estamos falando do Brasil). Então pra quê isso? Por que não publicar edições mais simples para vender por um preço mais acessível?

Certo, já existem algumas editoras que publicam aqueles livrinhos de bolso que nós encontramos nas bancas de jornais, o que é uma atitude louvável. Mas o problema é que os títulos escolhidos para serem publicados dessa maneira não são chamativos para quem não tem o hábito de ler. Os livros clássicos, de grandes autores, podem ser encontrados a preços bem legais, o que facilita a vida de quem já tem esse costume, mas os livros mais, digamos, interessantes para os "novos leitores" ainda são muito caros.

Mas aí surge o pensamento capitalista para atrapalhar nossos planos. A literatura infanto-juvenil atual vem fazendo muito sucesso (já que quase todos os livros para essa faixa etária viram filmes, uma vez que as grandes produtoras estão atrás do novo Harry Potter) e muitas vezes é o começo da vida de leitor de muita gente. O problema é que esses livros normalmente custam "os olhos da cara e mais um pouco". Como é que um jovem de poder aquisitivo relativamente baixo vai entrar em contato com essa literatura voltada para ele, se é tão cara?

Uma alternativa são as bibliotecas. Ou não, já que as bibliotecas públicas, além de serem meio secretas, costumam padecer do mesmo mal dos livros de bolso. Ou seja, só atendem a um público já leitor, ao passo que os acervos das grandes escolas particulares, que têm uma variedade maior de títulos, ficam restritos apenas a uma elite que pode pagar colégios caros para seus filhos.

No final das contas, tudo isso só acontece porque o incentivo à leitura no Brasil ainda é muito escasso. Aliás, há muito pouco incentivo à qualquer coisa no país. Baixar os preços dos livros é algo que as editoras deveriam fazer para amenizar esse problema e também dar mais um passo à caminho da criação de uma mentalidade leitora em nossa sociedade.


*Foto: Hélio Romero

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Internet e Literatura

domingo, 19 de agosto de 2007 por Beatriz Jucá

 


O fim dos livros impressos?


Com a democratização da Internet, a divulgação de autores e a publicação das obras foram facilitadas, alcançando um raio cada vez maior de leitores. Foi constatada também uma maior liberdade de expressão, visto que qualquer pessoa pode ter a sua própria página na web. A troca de conhecimento e informações via internet foi tão popularizada que levantou discussões como uma possível extinção de jornais impressos e livros.

Não se pode negar que a Internet serve como vitrine para as obras e facilita a ampliação de contatos e leitores. Entretanto, seria ela capaz de substituir as edições impressas e assim revolucionar a distribuição da literatura tradicional?

Durante a história da humanidade, a comunicação adquiriu várias formas. Primeiro, a forma oral. Depois, foi evoluindo e ganhando novos suportes, como papiro, pedra, pergaminho, papel e, agora, a tela do computador. Considerando essa evolução, os novos suportes substituíram os antigos devido às facilidades, praticidades e conforto que proporcionaram às pessoas.

No caso da tela do computador, há muito que se questionar em relação a essas facilidades, uma vez que a internet exige textos mais rápidos e objetivos por ser uma mídia mais cansativa ao sentido visual. Além disso, não existem formas eficazes de lucros através de sites, blogs e e-books (versão de livros digitalizados).

Assim como a tevê não acabou com o rádio, o vídeo game não acabou com o futebol de rua, o DVD não acabou com o cinema e o rádio não acabou com o jornal impresso, por que a internet haverá de acabar com os livros? É preciso considerar os interesses dos leitores, aqueles que se importam apenas com o conteúdo e os que fazem questão de ter a edição impressa para constar que livros e e-books poderão não só conviver, bem como se complementar.

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Literatura de auto-ajuda

domingo, 29 de julho de 2007 por Beatriz Jucá

 

Busca pela solução dos problemas ou um achado comercial?

Os títulos mais vendidos nas livrarias de hoje são os relacionados à auto-ajuda. Trata-se de livros que vendem ao leitor a idéia de que ele será bem sucedido, basta que obedeça algumas regras básicas. O sucesso desse tipo de literatura é bastante questionado, visto que se sustenta em torno do intenso individualismo na sociedade moderna e da falta de acompanhamento crítico em seus conteúdos.

Revelando um objetivo predominantemente mercadológico, os livros de auto-ajuda são escritos em forma de romances ou simples aconselhamentos. Baseiam-se na elevação do ego dos leitores, embevecidos por uma suposta facilidade de compreensão do mundo.

O mais antigo exemplo dessa literatura é a Bíblia, escrita por vários autores com o intuito de oferecer às pessoas uma melhor compreensão de si e do mundo a fim de melhorar suas vidas.

Atualmente, Paulo Coelho é o escritor de maior destaque nessa sessão, contando com cerca de 65 milhões de leitores em todo o mundo. É conhecido como o escritor mago pela referência à magia e à espiritualidade em quase todas as suas obras. Seus títulos mais conhecidos são ‘Diário de um Mago’, ‘Brida’ e ‘O Alquimista’.

Os livros de auto-ajuda ainda sofrem bastante preconceito pela classe ‘intelectualmente esclarecida’ e constituem o alvo de muitas críticas devido à precariedade de argumentações e conhecimentos na maioria dos textos. Paulo Coelho, como um dos maiores escritores desse tipo de literatura, é também um dos mais criticados.

O problema não é que esses títulos atinjam um grande índice de vendas, mas que vender seja o principal objetivo. Assim, os livros de auto-ajuda acabam se tornando uma verdadeira ‘Operação Tapa Buraco’ que utiliza de um otimismo artificial com intenções puramente mercadológicas e que não resolvem problema nenhum.

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Vai um cordel aí?

domingo, 22 de julho de 2007 por Maria Laura

 


O ritual de todos os ‘meios de ano’ se repetiu mais uma vez: fomos matutos e matutas por uma noite. Tiramos a camisa quadriculada do armário e os vestidos de chita, pintamos o roto e seguimos o caminho da roça. Mas antes das festividades acabarem, que tal tentar algo diferente? Deixemos também o nosso pensamento conhecer o sertão!

Com vocês: o cordel.

Cordel de São João – Gustavo Dourado

São João arrasta-pé:
Forró, fogueira, baião...
Xote, xaxado e quadrilha...
Foguete, bomba, balão...
Caruaru-Campina Grande: São João bom é no Sertão...

[...]

No são João hoje em dia:
Tudo está muito mudado...
Tem show e festa em clube:
Se perdeu o rebolado...
Saudade do ao João:
No terreiro e no roçado...

No São João de minha infância:
Não tinha eletricidade...
A luz era à luz da lua:
Tinha estrelicidade...
Do São João de menino:
Lembro e morro de saudade!

Esta poesia popular traz, em suas entrelinhas, muito da real expressão nordestina, podendo transportar aos nossos corações a angústia de um agricultor na seca; a esperança do retirante ou, e principalmente, a alegria de ser alguém que enxerga nas próprias mãos calejadas a prova do trabalho honesto que, se muitas vezes não alimenta o corpo, tranqüiliza a alma.

Como nordestina orgulhosa que sou, admito que talvez exista no meu falar um certo tom de “apropriação”, afinal não podemos esquecer que em outras regiões do Brasil existem pessoas que também se dedicam a esta arte. É que penso que a partir do momento em que você passa a ver alguma coisa como símbolo seu, você se sente no direito de tomar posse dela, e foi em nossa terra que o cordel ganhou forma.


Existe aí uma grande contradição que muitos não percebem: A literatura de cordel chegou ao Brasil e instalou-se no Nordeste, porque na época éramos ricos e abrigávamos a capital do país. Isso parece irônico quando notamos que, nos dias atuais, muitos dos cordelistas são semi-analfabetos e escrevem para mostrar o esquecimento dessa região.

“Apesar dos altos índices de analfabetismo, a popularização da literatura de cordel foi possível porque os poetas cordelistas contavam suas histórias nas feiras e praças, muitas vezes ao lado de músicos. Os folhetos eram pendurados em barbantes (daí o nome Cordel) ou amontoados no chão, despertando a atenção dos transeuntes. Cabe ressaltar que as feiras nordestinas eram verdadeiras festas para o povo do sertão, nas quais podiam, além de comprar e vender seus produtos, divertir-se e se inteirar dos assuntos políticos e sociais.”, afirma A.A de Mendonça em seu texto “A História da Literatura de Cordel”.

O fato é que o cordel não pode ser definido apenas como uma poesia narrativa impressa, pois ele é, acima de tudo, POPULAR. Então, independente de você ser um bom escritor ou não, nordestino ou não, leitor de cordéis ou não, você faz parte do povo, logo essa arte também é sua.

Então, que não apenas nessa época de São João, nós, citadinos e sertanejos, possamos colocar as nossas vidas lado a lado em um mesmo cordão: a LITERATURA DE CORDEL.

Comece agora:

Na internet

Folhetos de Cordel
http://www.ablc.com.br/publicacoes/public_cordel.htm

Academia Brasileira de Literatura de Cordel
http://www.ablc.com.br/

Manifesto a favor da literatura de cordel
http://paginas.terra.com.br/arte/cordel/ap13_manifesto.htm

Nas livrarias

Literatura de Cordel, Sebastião Vila Nova
Dicionário Brasileiro de Literatura de Cordel, ABLC
Vertentes & Evolução da Literatura de Cordel, Gonçalo F. da Silva

XIII Antologia Brasileira de Literatura de Cordel , ABLC 96 páginas À venda na ABLC pelo telefone (21) 2232-4801, na parte da tarde a R$10,. A promoção de 10 antologias por R$50, ainda está valendo.


*Texto de Sarah Coelho.

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Literatura cor-de-rosa

domingo, 8 de julho de 2007 por Beatriz Jucá

 


A busca pela fantasia e a capacidade se sonhar são os ganchos para a venda.


Os chamados romances de banca chegaram ao Brasil no século XIX, sendo traduzidos primordialmente do francês e constituídos de muitas lágrimas e dramas. Acompanhavam a valorização da beleza e doçura feminina dos contos de fadas e mostravam o homem com superioridade física, econômica e social, se tornando febre entre as moças brasileiras no final da década de 70.

Entre os fatores responsáveis por todo esse sucesso, estavam a facilidade de leitura e os preços acessíveis dos folhetos. Além disso, esse tipo de romance era a única fonte de informação, para as jovens, sobre sexo no início dos anos 80. Destinados às moças e mulheres com grandes jornadas de trabalho, os enredos sentimentais se tornaram uma espécie de escape. Eles apresentavam a elas novas oportunidades de sonhar.

Voltada mais para o lazer que para a arte, a literatura para as moças consistia na variação de um modelo de história, e não na ruptura. Era sempre uma mocinha pobre que encontrava um rapaz rico numa viagem e os dois se odiavam até se descobrirem profundamente apaixonados. Tinham também um vilão, e as cenas de sexo eram relatadas sutilmente, talvez pela época. Era sabido também que a mocinha e seu príncipe seriam felizes para sempre, mas o que importava para as leitoras era como eles conseguiriam ficar juntos.

Os romances sentimentais difundem um ideal de comportamento para que as mulheres fossem aceitas e queridas socialmente. Feiúra ou beleza artificial eram características que competiam às anti-heroínas, sempre más.

Entre as séries mais famosas dos romances de bancas, estão Sabrina (mais romântica e com sexo light), Júlia (mulher madura e independente), Bianca (casamento com humor) e as novas Mirella e Sabrina Sensual (mais apimentadas).

Se as leitoras americanas preferem expressões mais explícitas nas cenas de sexo, as brasileiras reclamam do uso de termos chulos. Elas optam por um tom mais místico nas narrações do ato de amor, o que requer um maior cuidado durante a tradução.

Ainda hoje, séries como Júlia e Sabrina vendem em torno de dois milhões de exemplares por ano e podem ser encontradas em bancas de revistas e sebos. Paralelamente, existe o sistema de trocas dos números mais antigos. O preço das edições atuais desses folhetins varia em torno de cinco e doze reais.

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Era uma vez...

domingo, 24 de junho de 2007 por Ingrid Baquit

 


Que menina nunca sonhou em ser uma princesa e encontrar seu príncipe encantado? E que menino nunca se imaginou combatendo o mal? Pois é, quem diria que essas histórias que nos emocionaram por tanto tempo, não foram criadas para crianças? Os contos de fadas foram criados para entrerter os adultos. Nos contos originais, Chapeuzinho vermelho fazia striptease para o lobo, e a Bela Adormecida era abandonada pelo príncipe, que a deixava grávida.


De origem celta, essas variação de conto popular ou fábula, apresenta uma narrativa curta, transmitida oralmente na maior parte das vezes, onde o herói (heroína) enfrenta obstáculos para depois triunfar contra o mal. Envolve algum tipo de magia, metamorfose ou encantamento. Apesar do nome, animais falantes são mais comuns que as própria fadas. Estas, são entidades fantásticas no folclore europeu ocidental. Mulheres imortais, dotadas de grande beleza, de poderes sobrenaturais e das capacidade de interferir na vida dos mortais.


As primeiras referências aos contos de fadas estão na Idade Média, nas histórias do "Rei Artur" - Morgana e Viviane. As mulheres possuiam um status social elevado na cultura celta e as fadas eram ligadas ao amor, podendo ser amadas ou mediadoras do amor. Com a cristianização do mundo, as lendas célticas perderam sua dimensão sobrenatural e sua capacidade de serem amadas.


A partir do séc XVI, os contos de fadas começaram a serem reunidos em coletâneas. Nessa época surgiu a famosa obra "sonhos de uma noite de verão". Nos fins do séc XVII, a decadência do Racionalismo Clássico originou uma literatura "extra-oficial", que exaltava a fantasia e marcou o fim da produção desses contos para o público adulto. As versões infantis teriam surgido quase que por acaso na França, no séc XVIII, por Charles Perrault, famoso por O gato de botas, O pequeno polegar. Nos países de língua inglesa, só no séc XIX, com os vendedores ambulantes, que vendiam em diversos povoados histórias simplificadas dos contos de fadas e do folclore, que dava acesso a um público mais amplo e menos sofisticado


.Os irmãos Grimm, criadores da Bela e a Fera, João e Maria, buscavam caracterizar o que havia de mais típico no povo alemão, no início do séc XIX. Mas o grande nome da literatura infantil foi Hans Christian Andersen,que embalado pelo espírito do Romantismo, criou a Pequena Sereia, Patinho Feio e quase 200 outros contos. Na segunda metade do sec XIX, houve uma substituição do sobrenatural pelo nonsese, que pode ser observado na obra de Lewis Carrol, "Alice no país das maravilhas", em 1865.


Feito para adultos ou para crianças, esses contos que etmologicamente querem dizer contos do destino, marcaram a vida de milhares de pessoas, e continuam emocionando.

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A literatura é sua festa, sua música, sua dança e seus 80 anos.

domingo, 17 de junho de 2007 por Beatriz Jucá

 

Escrever sobre literatura brasileira sem dedicar algumas linhas ao intelectual Ariano Suassuna teria o mesmo efeito de falar de Canudos sem citar Antônio Conselheiro. Assumindo um caráter cada vez mais nacionalista, o autor da famosa obra O Auto da Compadecida acabou se revelando um ícone na defesa da cultura brasileira e da literatura nordestina.

Escolhendo a poesia como primeiro gênero literário para a vasta produção que viria, Suassuna se destacou não só na literatura, como também no teatro e na arte. Foi professor de disciplinas como Estética e Cultura Brasileira, se consagrando como um gênio da cultura popular ao idealizar um movimento em prol da arte local, em 1970.

Enquanto muitos artistas tentavam se adequar à Ditadura Militar, Ariano não só mantinha suas idéias, como executava o Movimento Armorial em Recife, cujo objetivo consistia na criação de uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro.

Considerado único, Suassuna cria sua própria estética na produção do Romance d’A Pedra do Reino, que transcende um misto de poema, romance, crônica e sátira. E desse misto, vale salientar o aspecto de crônica, conseguido através do relato de casos supostamente históricos, como, por exemplo, a referência à morte de João Dantas, assassino de João Pessoa, no momento anterior à Revolução de 1930 e que acarretou a morte de seu pai, então Governador da Paraíba.

Tendo o sistema televisivo como um dos principais instrumentos de divulgação do seu trabalho, o escritor paraibano não se opõe à televisão, mas discorda com relação à falta de prioridade aos programas culturais e à ausência de uma visão mais crítica do telespectador. Afinal, a tevê não é somente arte, bem como entretenimento e noticiário.

Trata-se de um homem que lê de tudo. Um homem que utiliza diversos folhetos de cordéis e famosos romances publicados como inspiração e fonte de aprendizado. Um escritor que usa a sabedoria adquirida para compor uma arte graciosa e repleta de sonhos, poesias, lembranças, tradições, comédias e tragédias. Tudo isso com uma dosagem surpreendentemente harmoniosa de elementos literários e populares.

Foi esse literato que teve seus 80 anos comemorados por todo o país em 16 de junho de 2007. Foi ao recriador da cultura popular que os maiores jornais do Brasil quiseram homenagear na última semana. É esse intelectual que continua sua luta para evitar a descaracterização e vulgarização de sua cultura com a veia contraditória que sempre o acompanhou.

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A SOFIA* EM CADA UM DE NÓS

domingo, 10 de junho de 2007 por Marcella

 



A Literatura tem o objetivo de aperfeiçoar a sabedoria, e os livros são as principais ferramentas para a transmissão do conhecimento, independendetemente do conteúdo.

A Filosofia é a ciência que busca a verdadeira sabedoria, mas é pouco valorizada pois criou-se o pré-conceito de que, por não ser um a ciência prática não tem muita utilidade, porém a ciência filosófica é a precurssora de todas as ciência existentes, inclusive a Física e a Matemática, sabia?

Pensando no abismo que há entre a Filosofia e a sociedade, vários filósofos utilizaram um tipo de literatura popular para expôr suas teorias: o romance.

O romance filosófico possui a mesma estrutura de um romance comum, daqueles escritos por José de Alencar, Machado de Assis, dentre outros; mas difere-se no tema, que nesse caso é a Filosofia. Hermann Hesse iniciou esse tipo de Literatura com o romance filosófico "SIDDHARTA" em 1922. O jovem Brahim, não satisfeito com o que aprende com os Mestres da Índia Antiga, decide buscar a Verdade sozinho. Nesse livro Hermann Hesse questiona "O que é Deus, quem é Deus?" . Interessantíssimo para quem está realizando essa busca. Esse livro, devido o enredo no qual as reflexões filosóficas foram inseridas, agradou ao público que, normalmente não buscaria livros de teor filosófico para ler.

Na atualidade, o romance filosófico de Jardier Gaarden chamou a atenção de pessoas no mundo inteiro. O Mundo de Sofia tem todos os requisitos de um romance emocionante, com muito suspense e aventura, mas, de uma forma sutil conta-nos a história da Filosofia, desde a Grécia Antiga até a contemporaneidade. Sofia, próxima de completar seus 15 anos começa a receber cartas anônimas com questionamentos sobre o mundo e sobre ela mesma, e a partir daí se desenrola um emaranhado de histórias superinteressantes, vale a pena dar uma conferida.

A Literatura tem muitas faces, e é nesse ponto que se iguala à Filosofia; ambas procuram estimular a busca pelo pleno conhecimento, mas ainda estão pouco presentes na vida da maioria das pessoas. Abaixo, estão nomes de livros de grandes romancistas filosóficos, para que a leitura seja um hábito, e a busca pelo conhecimento interior e exterior seja uma constante nessa caminhada tão misteriosa que é a vida.


*Sofia em grego, quer dizer sabedoria.

  • Siddharta - Hermann Hesse - 1922
  • A Montanha Mágica - Thomas Mann - 1924
  • A Náusea - Sartre - 1938
  • O Estrangeiro - Albert Camus - 1940
  • O Mundo de Sofia - Jardier Gaarden - 1° edição 1991

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A arte de escrever boas histórias

domingo, 3 de junho de 2007 por Ingrid Baquit

 


Muitas vezes confundido com jornalismo sobre literatura, o JORNALISMO LITERÁRIO é um estilo jornalístico, em que são contados os fatos com elementos e técnicas da literatura: a observação, a descrição e a narração. Histórias romanceadas, que prendem a atenção do leitor e se distanciam dos padrões jornalísticos.


Iniciado com a obra " A sangue frio" de Truman Capote, esse estilo de contar fatos e notícias de uma maneira subjetiva e envolvente caiu no gosto do leitor. Explorado e ultilizado por grandes nomes, como: Gabriel García Marques, Jose Saramago, Norman Mailer e Fernando Morais, esse estilo tem uma maior humanização dos personagens e uma maior quantidade de informações. Isso desperta um maior interesse no leitor, que gosta de situações bem desenvolvidas e ricas em detalhes.

Mesmo com a falta de tempo dos leitores, que precisam de informações breves e rapidamente; e dos jornais, que procuram ocupar pouco espaço, e são em sua maioria tradicionais, grande parte dos leitores preferem o jornalismo literário. É o que diz a pesquisa da revista Intercom.

A tarefa do jornalista é descrever e contar uma boa história. Ele vai atrás da informação, pesquisa, investiga, não se preocupa com tempo e com o espaço que a matéria ocupará. É paciente, tem talento e tem valores morais e éticos. O leitor exigente e ávido por informações agradece.

Onde encontrar jornalismo literário: nas revistas Piauí, Rolling Stones, The New Yorker; nos livros: Chatô, de Fernando Morais, Hiroshima, de John Hersey em muitos outros.

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A Menina Poema

domingo, 27 de maio de 2007 por Beatriz Jucá

 


A literatura, sendo a arte de compor ou escrever trabalhos artísticos em prosa ou verso, é uma forma de comunicação e compartilhamento de idéias e histórias. Portanto, não poderia ser excluída de um blog cujo intuito é discutir uma forma de se comunicar de maneira alternativa e independente. E como nós não perdemos tempo, escolhemos para a primeira pauta desta seção mostrar o trabalho de Rita Apoena, escritora que teve os seus textos divulgados primordialmente em um diário eletrônico e hoje tem fãs em vários estados do Brasil.

Rita conquistou um considerável número de leitores com suas metáforas e seu ‘jornal das pequenas coisas’. Usando uma linguagem simples e singela, consegue mostrar a vida como você deixou de perceber. Seus dedos transbordam poesia, e os seus poemas exalam seu amor pela natureza, bem como sua crença em um mundo melhor.

Rita Apoena cursou dois anos de Letras na USP, trancou a matrícula e resolveu estudar fotografia no Centro Universitário Senac, onde diz ser o tempo todo estimulada a criar e encontrar sua própria linguagem. Nas linhas que seguem, a doce poetisa fala sobre literatura e a sua forma de fazer poesia.

Quando/como surgiu o interesse pela poesia?
Desde sempre. Das lembranças que tenho da infância, percebo que eu via as coisas de um jeito muito parecido como as que eu vejo hoje. Eu me alfabetizei cedo e por iniciativa própria porque precisava escrever meus poeminhas, quase todos sobre passarinhos em gaiolas. Eu tinha esperança de que as pessoas grandes lessem e não fizessem mais aquilo. Era algo que me tirava o sono, assim como o desmatamento da Amazônia, a extinção dos animais, a fome no mundo etc. A gaiola foi a minha primeira percepção de injustiça e, por conta dela, eu passei a escrever. Como podem ver, comecei com uma literaturazinha totalmente panfletária.

Você pode dizer que a literatura que você faz foi influenciada por algum escritor em especial? Por quê?
Até hoje, não sei dizer a diferença entre influência e identificação. Eu gostaria muito de ser influenciada por Herberto Helder, que é meu poeta preferido. Ou Drummond. Ou Raduan Nassar. Mas nem se eu tentasse a vida inteira, eu seria capaz de escrever como eles. Já o Mário Quintana, desde o primeiro instante que li, foi imediata a identificação. Aliás, o Mário Quintana foi o meu Brad Pitt da adolescência e, quando ele morreu, eu fiquei tão deprimida como se tivesse perdido alguém da própria família. Quiçá, do mesmo planeta. Quando ele morreu, eu me senti muito sozinha.


Como você definiria os seus textos e a sua maneira de fazer literatura?
Eu acho que são simples e despretensiosos, só isso.

O leitor, ao apreciar os seus textos, muitas vezes consegue sentir o seu prazer pela escrita, bem como a sua vontade de viver dela. Qual a sua perspectiva em viver de literatura em um país onde a leitura ainda é precária?

Não tente em casa ou longe de algum adulto (risos). Bem, tenho a meu favor um imenso desapego às coisas materiais. Percebi que a diferença entre ter muito dinheiro e pouco dinheiro é que você compra muitas ou poucas coisas, respectivamente. Claro, além do essencial que todo ser humano tem (ou deveria ter) o direito. Por exemplo, tenho um celular que, quando tiro da bolsa, meus amigos fingem que não me conhecem (risos). Mas está funcionando, ora! Por que vou comprar um celular sem tampa, depois um que abre a tampa, depois um que desliza a tampa, depois um com tampa mágica se o mesmo celular vai me deixar feliz toda vez que um amigo me ligar? Então, eu não tenho ilusão alguma de ganhar dinheiro fazendo (ou tentando fazer) literatura.

A divulgação e publicação do seu trabalho foram feitas somente através da Internet? Como começou todo esse sucesso?
Em 1998, eu criei um diário na Internet, feito em html e atualizado no Front Page. Mostrei apenas a alguns amigos muito íntimos. Foi assim que começou: por culpa de alguns amigos línguas-grandes, que não sabiam guardar segredos. E continua assim, desde então. Um gosta e conta para o outro, eu acho intrigante.

Até que ponto você acha que o surgimento dos blogs e da comunicação alternativa em geral pode influenciar a literatura? Tanto a produção como a leitura?
Assim como surgiram os romances de folhetim, no início do século XIX, eu acho que os blogs de hoje podem dar uma nova roupagem à produção literária atual. No meu caso, o formato blog foi mais do que decisivo nas minhas escolhas. Eu pensei: puxa, ler nesse monitor é muito chato. Eu tenho de encontrar um jeito de dizer tudo o que eu quero dizer em pouquíssimas linhas. E assim fui limando tudo o que eu escrevia, até chegar ao miolo.

Pode-se observar, via Internet mesmo, que o seu número de leitores cresce a cada dia, como você se sente com tudo isso?
Perplexa. Eu juro que não entendo o que tanto o pessoal enxerga nos textos! Daí, eu mesma começo a virar o texto de todos os lados, olho daqui, olho dali, viro de bundinha para cima, ergo o bracinho, fico tentando achar alguma explicação. Eu ainda acho que nem é por conta das palavras que eu escrevo, mas porque sou um pára-raio de gente maravilhosa. Tenho leitores que me acompanham desde o comecinho na Internet, desde os tempos da escola, outros vão chegando e ficando, é assim. Nem é Literatura, é uma grande amizade.

Rita Apoena deverá lançar seu livro até o final do ano. Segundo a autora, ‘É um livro pequeno, de poucas páginas, embora eu esteja escrevendo há quase dois anos. As teclas que eu mais uso são: delete e backspace. Existem duas versões do mesmo livro. Uma, feita para as crianças pequenas, conta com as ilustrações da minha amiguinha Liège, de seis anos. A outra versão, feita para as crianças grandes, tem as ilustrações do meu querido amigo Jay, do Yolk's Yogurt’.

Você pode encontrar a poesia de Rita em
http://ritaapoena.zip.net/index.html.

*Ilustração: Jovan de Melo (Jay), em
http://fotolog.com/yolks_yogurt.

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Um blog mantido por estudantes de Comunicação da Universidade Federal do Ceará. O tema do blog é a comunicação em si. Uma abordagem informal sobre as principais formas de comunicação social.

 

 

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