Quadrinho não é literatura
domingo, 16 de setembro de 2007 por Beatriz Jucá
Essa foi a conclusão a qual eu cheguei, no final das contas. Quer dizer, inicialmente a minha idéia era meio que deixar a dúvida no ar, se quadrinho é literatura ou não, pra gerar discussão, sabe?! Ia ser legal, e tudo, mas quando eu fui pesquisar... Tipo, não tem como defender que quadrinho é literatura!Antes que joguem pedras em mim, deixa eu explicar. Olha só o que o Aurélio diz sobre Literatura: "Arte de compôr trabalhos artísticos ( essa redundância tosquíssima é coisa do aurélio, viu?!) em prosa e verso." Já sobre quadrinhos ele fala: " Sequência dinâmica de desenhos (quadrinhos), em geral com legendas, que contam uma história." eu também dei uma fuçada na wikipédia, e lá também não tinha nada que desse a entender essa ligação entre a banda seqüencial (um nome bem chique pra "quadrinhos") e a literatura.
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Literatura Infantil
domingo, 9 de setembro de 2007 por Beatriz Jucá
A lembrança da primeira vez em que tentei descrever a poesia que o hábito da leitura trazia à minha vida vem carregada de um tanto de frustração. Eu vivia os meus 10 anos e participava de uma promoção chamada “Ler é um grande barato, por quê?”. Boa pergunta. Como alguém que só tinha lido livros para crianças poderia responder a esse questionamento?
O fato é que a procura por esta resposta rendeu-me tardes inteiras de raiva do Lobato e seu faz-de-conta. Mas em uma dessas, é que percebi que era exatamente a possibilidade de sentir aquela raiva que tornava a minha leitura prazerosa. As minhas vivências no “sítio do pica-pau amarelo” e o relacionamento estabelecido por mim com seus personagens eram reais, palpáveis e distintas da das crianças que outrora possam ter lido aquelas mesmas linhas. Eram minhas. E eu tinha algo a dizer sobre elas.
Fiz o texto e estava confiante, mas papai esqueceu-se de colocá-lo no correio e por isso não ganhei a promoção.
Hoje, anos depois, venho falar a vocês não da impossibilidade de ter concorrido aquele prêmio, mas do instrumento que naquele instante tornou-me capaz de descobrir a validade de mergulhar nas histórias e ensinamentos trazidos pela leitura: A literatura infantil.
A designação infantil faz com que esta modalidade da literatura seja considerada ‘menor’ por alguns, infelizmente. Mas para quem estuda o desenvolvimento da criança é clara a função pedagógica e didática que, exatamente por reconhecer a criança como um ser diferente do adulto, com necessidades próprias, a Literatura Infantil tem.

“Nos contos de fadas, por exemplo, o maniqueísmo que divide as personagens em boas ou más, belas ou feias, poderosas ou fracas, etc. facilita à criança a compreensão de certos valores básicos da conduta humana ou convívio social”.
Esse caráter de ensino também é encontrado nas fábulas, que têm por objetivo transmitir moralidade, onde o ‘certo’ deve ser copiado e o ‘errado’ evitado.
Os livros infantis também estimulam a criatividade, tão bem representada pelo fantástico. Oferecer às crianças a possibilidade de “imaginar” coisas diferentes das que lhe são impostas é algo importantíssimo! A coleção de contos árabes “As Mil e Uma Noites” ilustra tudo isso.
“A história conta que, durante três anos, moças eram sacrificadas pelo rei, até que já não havia mais virgens no reino, e o vizir não sabia mais o que fazer para atender o desejo do rei. Foi quando uma de suas filhas, Sherazade, pediu-lhe que a levasse como noiva do rei, pois sabia um estratagema para escapar ao triste fim que a esperava. A princesa, após ser possuída pelo rei, começa a contar a extraordinária ‘História do Mercador e do Efrit’, mas, antes que a manhã rompesse, ela parava seu relato, deixando um clima de suspense, só dando continuidade à narrativa na manhã seguinte. Assim, Sherazade conseguiu sobreviver, graças à sua palavra sábia e à curiosidade do rei. Ao fim desse tempo, ela já havia tido três filhos e, na milésima primeira noite, pede ao rei que a poupe, por amor às crianças. O rei finalmente responde que lhe perdoaria, sobretudo pela dignidade de Sherazade. Fica então a metáfora traduzida por Sherazade: a liberdade se conquista com o exercício da criatividade.”
E, por fim, devemos ressaltar que a Literatura Infantil inicia o homem no mundo literário, sendo utilizada como instrumento para a sensibilização da consciência, para a expansão da capacidade e interesse de analisar o mundo.
É isso. Espero que de agora em diante novos olhares possam ser lançados a Monteiro Lobato e seu sítio; Irmãos Grimm e sua chapezinho; Enid Blyton e seus pequenos detetives; Hans Christian Andersen e seu patinho; ou Ziraldo e seu menino maluco.
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Sobre os preços dos livros no Brasil
domingo, 26 de agosto de 2007 por Beatriz Jucá
É sério, porque eles são tão caros? Quer dizer, publicar um livro com uma capa legal, um papel de alta qualidade e com um projeto gráfico bacana não deve sair muito barato ( ainda mais levando em conta que as vendas não serão lá isso tudo, já que estamos falando do Brasil). Então pra quê isso? Por que não publicar edições mais simples para vender por um preço mais acessível?
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Internet e Literatura
domingo, 19 de agosto de 2007 por Beatriz Jucá

Não se pode negar que a Internet serve como vitrine para as obras e facilita a ampliação de contatos e leitores. Entretanto, seria ela capaz de substituir as edições impressas e assim revolucionar a distribuição da literatura tradicional?
Assim como a tevê não acabou com o rádio, o vídeo game não acabou com o futebol de rua, o DVD não acabou com o cinema e o rádio não acabou com o jornal impresso, por que a internet haverá de acabar com os livros? É preciso considerar os interesses dos leitores, aqueles que se importam apenas com o conteúdo e os que fazem questão de ter a edição impressa para constar que livros e e-books poderão não só conviver, bem como se complementar.
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Literatura de auto-ajuda
domingo, 29 de julho de 2007 por Beatriz Jucá
Revelando um objetivo predominantemente mercadológico, os livros de auto-ajuda são escritos em forma de romances ou simples aconselhamentos. Baseiam-se na elevação do ego dos leitores, embevecidos por uma suposta facilidade de compreensão do mundo.
O mais antigo exemplo dessa literatura é a Bíblia, escrita por vários autores com o intuito de oferecer às pessoas uma melhor compreensão de si e do mundo a fim de melhorar suas vidas.
Atualmente, Paulo Coelho é o escritor de maior destaque nessa sessão, contando com cerca de 65 milhões de leitores em todo o mundo. É conhecido como o escritor mago pela referência à magia e à espiritualidade em quase todas as suas obras. Seus títulos mais conhecidos são ‘Diário de um Mago’, ‘Brida’ e ‘O Alquimista’.
Os livros de auto-ajuda ainda sofrem bastante preconceito pela classe ‘intelectualmente esclarecida’ e constituem o alvo de muitas críticas devido à precariedade de argumentações e conhecimentos na maioria dos textos. Paulo Coelho, como um dos maiores escritores desse tipo de literatura, é também um dos mais criticados.
O problema não é que esses títulos atinjam um grande índice de vendas, mas que vender seja o principal objetivo. Assim, os livros de auto-ajuda acabam se tornando uma verdadeira ‘Operação Tapa Buraco’ que utiliza de um otimismo artificial com intenções puramente mercadológicas e que não resolvem problema nenhum.
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Vai um cordel aí?
domingo, 22 de julho de 2007 por Maria Laura

Com vocês: o cordel.
Cordel de São João – Gustavo Dourado
São João arrasta-pé:
Forró, fogueira, baião...
Xote, xaxado e quadrilha...
Foguete, bomba, balão...
Caruaru-Campina Grande: São João bom é no Sertão...
[...]
No são João hoje em dia:
Tudo está muito mudado...
Tem show e festa em clube:
Se perdeu o rebolado...
Saudade do ao João:
No terreiro e no roçado...
No São João de minha infância:
Não tinha eletricidade...
A luz era à luz da lua:
Tinha estrelicidade...
Do São João de menino:
Lembro e morro de saudade!
Esta poesia popular traz, em suas entrelinhas, muito da real expressão nordestina, podendo transportar aos nossos corações a angústia de um agricultor na seca; a esperança do retirante ou, e principalmente, a alegria de ser alguém que enxerga nas próprias mãos calejadas a prova do trabalho honesto que, se muitas vezes não alimenta o corpo, tranqüiliza a alma.
Como nordestina orgulhosa que sou, admito que talvez exista no meu falar um certo tom de “apropriação”, afinal não podemos esquecer que em outras regiões do Brasil existem pessoas que também se dedicam a esta arte. É que penso que a partir do momento em que você passa a ver alguma coisa como símbolo seu, você se sente no direito de tomar posse dela, e foi em nossa terra que o cordel ganhou forma.
“Apesar dos altos índices de analfabetismo, a popularização da literatura de cordel foi possível porque os poetas cordelistas contavam suas histórias nas feiras e praças, muitas vezes ao lado de músicos. Os folhetos eram pendurados em barbantes (daí o nome Cordel) ou amontoados no chão, despertando a atenção dos transeuntes. Cabe ressaltar que as feiras nordestinas eram verdadeiras festas para o povo do sertão, nas quais podiam, além de comprar e vender seus produtos, divertir-se e se inteirar dos assuntos políticos e sociais.”, afirma A.A de Mendonça em seu texto “A História da Literatura de Cordel”.
O fato é que o cordel não pode ser definido apenas como uma poesia narrativa impressa, pois ele é, acima de tudo, POPULAR. Então, independente de você ser um bom escritor ou não, nordestino ou não, leitor de cordéis ou não, você faz parte do povo, logo essa arte também é sua.
Então, que não apenas nessa época de São João, nós, citadinos e sertanejos, possamos colocar as nossas vidas lado a lado em um mesmo cordão: a LITERATURA DE CORDEL.
Comece agora:
Na internet
Folhetos de Cordel
http://www.ablc.com.br/publicacoes/public_cordel.htm
Academia Brasileira de Literatura de Cordel
http://www.ablc.com.br/
Manifesto a favor da literatura de cordel
http://paginas.terra.com.br/arte/cordel/ap13_manifesto.htm
Nas livrarias
Literatura de Cordel, Sebastião Vila Nova
Dicionário Brasileiro de Literatura de Cordel, ABLC
Vertentes & Evolução da Literatura de Cordel, Gonçalo F. da Silva
XIII Antologia Brasileira de Literatura de Cordel , ABLC 96 páginas À venda na ABLC pelo telefone (21) 2232-4801, na parte da tarde a R$10,. A promoção de 10 antologias por R$50, ainda está valendo.
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Literatura cor-de-rosa
domingo, 8 de julho de 2007 por Beatriz Jucá
Entre os fatores responsáveis por todo esse sucesso, estavam a facilidade de leitura e os preços acessíveis dos folhetos. Além disso, esse tipo de romance era a única fonte de informação, para as jovens, sobre sexo no início dos anos 80. Destinados às moças e mulheres com grandes jornadas de trabalho, os enredos sentimentais se tornaram uma espécie de escape. Eles apresentavam a elas novas oportunidades de sonhar.
Voltada mais para o lazer que para a arte, a literatura para as moças consistia na variação de um modelo de história, e não na ruptura. Era sempre uma mocinha pobre que encontrava um rapaz rico numa viagem e os dois se odiavam até se descobrirem profundamente apaixonados. Tinham também um vilão, e as cenas de sexo eram relatadas sutilmente, talvez pela época. Era sabido também que a mocinha e seu príncipe seriam felizes para sempre, mas o que importava para as leitoras era como eles conseguiriam ficar juntos.
Os romances sentimentais difundem um ideal de comportamento para que as mulheres fossem aceitas e queridas socialmente. Feiúra ou beleza artificial eram características que competiam às anti-heroínas, sempre más.
Entre as séries mais famosas dos romances de bancas, estão Sabrina (mais romântica e com sexo light), Júlia (mulher madura e independente), Bianca (casamento com humor) e as novas Mirella e Sabrina Sensual (mais apimentadas).
Se as leitoras americanas preferem expressões mais explícitas nas cenas de sexo, as brasileiras reclamam do uso de termos chulos. Elas optam por um tom mais místico nas narrações do ato de amor, o que requer um maior cuidado durante a tradução.
Ainda hoje, séries como Júlia e Sabrina vendem em torno de dois milhões de exemplares por ano e podem ser encontradas em bancas de revistas e sebos. Paralelamente, existe o sistema de trocas dos números mais antigos. O preço das edições atuais desses folhetins varia em torno de cinco e doze reais.
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Era uma vez...
domingo, 24 de junho de 2007 por Ingrid Baquit

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A literatura é sua festa, sua música, sua dança e seus 80 anos.
domingo, 17 de junho de 2007 por Beatriz Jucá
Escrever sobre literatura brasileira sem dedicar algumas linhas ao intelectual Ariano Suassuna teria o mesmo efeito de falar de Canudos sem citar Antônio Conselheiro. Assumindo um caráter cada vez mais nacionalista, o autor da famosa obra O Auto da Compadecida acabou se revelando um ícone na defesa da cultura brasileira e da literatura nordestina.Marcadores: Beatriz Jucá, Literatura
A SOFIA* EM CADA UM DE NÓS
domingo, 10 de junho de 2007 por Marcella

A Literatura tem o objetivo de aperfeiçoar a sabedoria, e os livros são as principais ferramentas para a transmissão do conhecimento, independendetemente do conteúdo.
A Filosofia é a ciência que busca a verdadeira sabedoria, mas é pouco valorizada pois criou-se o pré-conceito de que, por não ser um a ciência prática não tem muita utilidade, porém a ciência filosófica é a precurssora de todas as ciência existentes, inclusive a Física e a Matemática, sabia?
Pensando no abismo que há entre a Filosofia e a sociedade, vários filósofos utilizaram um tipo de literatura popular para expôr suas teorias: o romance.
O romance filosófico possui a mesma estrutura de um romance comum, daqueles escritos por José de Alencar, Machado de Assis, dentre outros; mas difere-se no tema, que nesse caso é a Filosofia. Hermann Hesse iniciou esse tipo de Literatura com o romance filosófico "SIDDHARTA" em 1922. O jovem Brahim, não satisfeito com o que aprende com os Mestres da Índia Antiga, decide buscar a Verdade sozinho. Nesse livro Hermann Hesse questiona "O que é Deus, quem é Deus?" . Interessantíssimo para quem está realizando essa busca. Esse livro, devido o enredo no qual as reflexões filosóficas foram inseridas, agradou ao público que, normalmente não buscaria livros de teor filosófico para ler.
Na atualidade, o romance filosófico de Jardier Gaarden chamou a atenção de pessoas no mundo inteiro. O Mundo de Sofia tem todos os requisitos de um romance emocionante, com muito suspense e aventura, mas, de uma forma sutil conta-nos a história da Filosofia, desde a Grécia Antiga até a contemporaneidade. Sofia, próxima de completar seus 15 anos começa a receber cartas anônimas com questionamentos sobre o mundo e sobre ela mesma, e a partir daí se desenrola um emaranhado de histórias superinteressantes, vale a pena dar uma conferida.
A Literatura tem muitas faces, e é nesse ponto que se iguala à Filosofia; ambas procuram estimular a busca pelo pleno conhecimento, mas ainda estão pouco presentes na vida da maioria das pessoas. Abaixo, estão nomes de livros de grandes romancistas filosóficos, para que a leitura seja um hábito, e a busca pelo conhecimento interior e exterior seja uma constante nessa caminhada tão misteriosa que é a vida.
*Sofia em grego, quer dizer sabedoria.
- Siddharta - Hermann Hesse - 1922
- A Montanha Mágica - Thomas Mann - 1924
- A Náusea - Sartre - 1938
- O Estrangeiro - Albert Camus - 1940
- O Mundo de Sofia - Jardier Gaarden - 1° edição 1991
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A arte de escrever boas histórias
domingo, 3 de junho de 2007 por Ingrid Baquit

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A Menina Poema
domingo, 27 de maio de 2007 por Beatriz Jucá

Rita conquistou um considerável número de leitores com suas metáforas e seu ‘jornal das pequenas coisas’. Usando uma linguagem simples e singela, consegue mostrar a vida como você deixou de perceber. Seus dedos transbordam poesia, e os seus poemas exalam seu amor pela natureza, bem como sua crença em um mundo melhor.
Rita Apoena cursou dois anos de Letras na USP, trancou a matrícula e resolveu estudar fotografia no Centro Universitário Senac, onde diz ser o tempo todo estimulada a criar e encontrar sua própria linguagem. Nas linhas que seguem, a doce poetisa fala sobre literatura e a sua forma de fazer poesia.
Quando/como surgiu o interesse pela poesia?
Desde sempre. Das lembranças que tenho da infância, percebo que eu via as coisas de um jeito muito parecido como as que eu vejo hoje. Eu me alfabetizei cedo e por iniciativa própria porque precisava escrever meus poeminhas, quase todos sobre passarinhos em gaiolas. Eu tinha esperança de que as pessoas grandes lessem e não fizessem mais aquilo. Era algo que me tirava o sono, assim como o desmatamento da Amazônia, a extinção dos animais, a fome no mundo etc. A gaiola foi a minha primeira percepção de injustiça e, por conta dela, eu passei a escrever. Como podem ver, comecei com uma literaturazinha totalmente panfletária.
Você pode dizer que a literatura que você faz foi influenciada por algum escritor em especial? Por quê?
Até hoje, não sei dizer a diferença entre influência e identificação. Eu gostaria muito de ser influenciada por Herberto Helder, que é meu poeta preferido. Ou Drummond. Ou Raduan Nassar. Mas nem se eu tentasse a vida inteira, eu seria capaz de escrever como eles. Já o Mário Quintana, desde o primeiro instante que li, foi imediata a identificação. Aliás, o Mário Quintana foi o meu Brad Pitt da adolescência e, quando ele morreu, eu fiquei tão deprimida como se tivesse perdido alguém da própria família. Quiçá, do mesmo planeta. Quando ele morreu, eu me senti muito sozinha.
Como você definiria os seus textos e a sua maneira de fazer literatura?
Eu acho que são simples e despretensiosos, só isso.
O leitor, ao apreciar os seus textos, muitas vezes consegue sentir o seu prazer pela escrita, bem como a sua vontade de viver dela. Qual a sua perspectiva em viver de literatura em um país onde a leitura ainda é precária?
Não tente em casa ou longe de algum adulto (risos). Bem, tenho a meu favor um imenso desapego às coisas materiais. Percebi que a diferença entre ter muito dinheiro e pouco dinheiro é que você compra muitas ou poucas coisas, respectivamente. Claro, além do essencial que todo ser humano tem (ou deveria ter) o direito. Por exemplo, tenho um celular que, quando tiro da bolsa, meus amigos fingem que não me conhecem (risos). Mas está funcionando, ora! Por que vou comprar um celular sem tampa, depois um que abre a tampa, depois um que desliza a tampa, depois um com tampa mágica se o mesmo celular vai me deixar feliz toda vez que um amigo me ligar? Então, eu não tenho ilusão alguma de ganhar dinheiro fazendo (ou tentando fazer) literatura.
A divulgação e publicação do seu trabalho foram feitas somente através da Internet? Como começou todo esse sucesso?
Em 1998, eu criei um diário na Internet, feito em html e atualizado no Front Page. Mostrei apenas a alguns amigos muito íntimos. Foi assim que começou: por culpa de alguns amigos línguas-grandes, que não sabiam guardar segredos. E continua assim, desde então. Um gosta e conta para o outro, eu acho intrigante.
Até que ponto você acha que o surgimento dos blogs e da comunicação alternativa em geral pode influenciar a literatura? Tanto a produção como a leitura?
Assim como surgiram os romances de folhetim, no início do século XIX, eu acho que os blogs de hoje podem dar uma nova roupagem à produção literária atual. No meu caso, o formato blog foi mais do que decisivo nas minhas escolhas. Eu pensei: puxa, ler nesse monitor é muito chato. Eu tenho de encontrar um jeito de dizer tudo o que eu quero dizer em pouquíssimas linhas. E assim fui limando tudo o que eu escrevia, até chegar ao miolo.
Pode-se observar, via Internet mesmo, que o seu número de leitores cresce a cada dia, como você se sente com tudo isso?
Perplexa. Eu juro que não entendo o que tanto o pessoal enxerga nos textos! Daí, eu mesma começo a virar o texto de todos os lados, olho daqui, olho dali, viro de bundinha para cima, ergo o bracinho, fico tentando achar alguma explicação. Eu ainda acho que nem é por conta das palavras que eu escrevo, mas porque sou um pára-raio de gente maravilhosa. Tenho leitores que me acompanham desde o comecinho na Internet, desde os tempos da escola, outros vão chegando e ficando, é assim. Nem é Literatura, é uma grande amizade.
Rita Apoena deverá lançar seu livro até o final do ano. Segundo a autora, ‘É um livro pequeno, de poucas páginas, embora eu esteja escrevendo há quase dois anos. As teclas que eu mais uso são: delete e backspace. Existem duas versões do mesmo livro. Uma, feita para as crianças pequenas, conta com as ilustrações da minha amiguinha Liège, de seis anos. A outra versão, feita para as crianças grandes, tem as ilustrações do meu querido amigo Jay, do Yolk's Yogurt’.
Você pode encontrar a poesia de Rita em http://ritaapoena.zip.net/index.html.
*Ilustração: Jovan de Melo (Jay), em http://fotolog.com/yolks_yogurt.
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